sábado, 30 de abril de 2011

Um espelho não, talvez...

Tenho medo do que nos tornamos; sinto receio ao ver aquilo que pode se mascarar por trás de algum sonho inocente sonhado inocentemente, tornando-se algo tão desumano que vai contra tudo aquilo que grandes espíritos e mentes tentaram nos afastar com seus avisos, guiando-nos para o caminho que devemos realmente percorrer; aquele que ruma nosso interior. Costumo dizer que o conhecimento que nos é realmente útil é aquele que podemos sentir arder no peito, aquele que age em tal sincronia conosco que resulta na mudança imediata do ser e do modo que o é. Mas como poderia tal evolução acontecer, se o contato com o verdadeiro sentir nos é escondido desde os primeiros instantes de nossa vida, e está tão ignorado que nossa mente se recusa a procurá-lo?
Mais uma vez o digo: tenho medo. Talvez seja o medo e a esperança que mantenho acesa que permita em mim uma idéia do caminho, de meu rumo. Talvez seja a sensação de estar desperto que me mantenha procurando por aquilo que perdemos e, quem sabe, tentar mostra as sombras que consigo distinguir aos que estão dispostos a tentar vê-las, mesmo estando tão longe do real.
Por enquanto, apenas digo que me entristeço por vossos olhos cansados e tão dormentes, que já não mais expressam a vida que em ti existe, e tampouco a imaginação de quando outrora sabia sonhar... 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Uma velha anotação em uma página.

O mais belo pensamento que possuiremos não virá sem o gosto amargo do nosso egoísmo. Pois, quem abriria a mão de uma obra em si mesmo  sem ao menos sentir o ciúme de um amante?
Idéias, idéias, insônia. Passado não existe e futuro ao presente pertence. Pouco nítido é o rosto que vejo, pois ambos conspiram contra ele, senão ele contra si mesmo. Triste solidão, inóspita e tão povoada, rapta-me para nunca mais me trazer de volta.
Mais fácil abrigar-me. Deixar ser tomado pela emoção? Não. Agir racionalmente, quem sabe. Talvez este mito funcione. Mas sem emoção?
RAZÃO RAZÃO RAZÃO RAZÃO RAZÃO RAZÃO RAZÃO RAZÃO RAZÃO!
               
Mapa de quem vive - território inexistente. Abstrato, surreal.